O laboratório, para que serve e como funcionará?

Iniciamos a oficina de Animação com o pé direito! Em nossa primeira aula combinamos como tudo vai funcionar e conhecemos a equipe do Regiões Narrativas. Segue um breve relato do que foi dito:

Contando histórias

Parece óbvio, mas, nesse caso, não é. Para entender a proposta desse projeto é preciso começar pelo começo: o título.

O subtítulo, sim, é fácil de entender: Laboratório de audiovisual, todo mundo sabe mais ou menos do que se trata. Um lugar onde se aprendem técnicas de comunicação – no nosso caso, animação, fotografia e vídeo – que se utilizam dos recursos de som e imagem. Mas, por que esse laboratório, especificamente, se chama Regiões Narrativas? Melhor explicar um termo de cada vez.

Por que Narrativas?

Nossa vida é feita de histórias. É através de narrativas, das histórias que nos contam e que contamos aos outros que percebemos o mundo e também a nós mesmos. É através delas que tomamos conhecimento do passado e transmitimos esse conhecimento para as futuras gerações. A gente nasce e já começam a contar histórias sobre a gente: nosso lugar na vida da família, o que seremos quando ficarmos maiores, as pessoas preparam ou não a nossa chegada de uma ou outra forma. Menina é roupa rosa, menino é azul, ou então ninguém dá mais bola pra essas coisas. As histórias variam, mas sempre estamos envoltos em histórias, em narrativas.

Conhece fulano? É um sujeito assim, assim, fez isso, fez aquilo… Já foi em tal lugar? É bom ou é ruim, é bonito ou é feio, porque isso ou aquilo… Sabe o que aconteceu ontem? E como será o amanhã?

Então, fazer narrativas, contar histórias, é construir uma ideia sobre o mundo em que vivemos, sobre os outros e sobre nós mesmos.

Por que Regiões?

Porque as narrativas são muitas e diversas. E podemos pensar essa diversidade a partir de regiões em que as histórias se situam, sejam pelo tema de que tratam, ou pela dimensão do pensamento em que são criadas.

No que se refere ao tema, essas regiões podem ser concretas, quando falamos dos espaços físicos, expressos na noção de território, sejam continentes, países, cidades, bairros, favelas, ruas, praças e até mesmo lugares menores: a casa onde se mora ou se morou, um esconderijo…. Ou seja, uma região narrativa, nesse sentido é qualquer lugar que alguém considera relevante e sobre o qual tem uma história para contar. E, é claro, no sentido que nos interessa aqui, contar histórias de lugares é contar histórias das pessoas que neles vivem e circulam.

A gente pode contar até a história de um objeto – um livro, um brinquedo, uma roupa – e, a partir dele, contar todas as histórias que circulam em torno dele. A quem pertenceu, que sentimentos estão ligados a ele, que memórias?

Mas, já que falamos de territórios como espaços de vida, não há como não incluir, na diversidade das regiões narrativas, a dimensão do tempo. Nossas histórias podem ter um foco no passado, buscando os documentos e/ou memórias em que está registrado: enfatizar o presente, aquilo que é a atualidade do narrador, ou arriscar pensar o futuro.

Finalmente, do ponto de vista da intenção criativa, ainda podemos distinguir dois tipos de regiões narrativas: a do real e a do imaginário. Na primeira, estão as histórias que pretendem narrar e registrar os fatos da vida real (embora estas também sejam versões centradas no ponto de vista de quem narra). Na segunda estão as narrativas que se assumem como ficção e dão margem à expressão da fantasia (embora, essas sempre tenham alguma forma de relação com a realidade e a experiência de vida de seu criador). até a criação imaginária.

Agora, podemos voltar ao nosso laboratório.

Nesse laboratório de audiovisual, nossa região narrativa concreta, o território é a Rocinha. Que tem muitas histórias diferentes para serem contadas: as histórias de seus locais, da vida de seus moradores, em seus vários aspectos. Como era esse esse lugar antigamente; quantas histórias existem sobre isso? Como é a Rocinha hoje, com suas diversidades internas, na sua relação com a cidade do Rio de Janeiro?

Nas nossas oficinas, portanto, vocês vão aprender diferentes técnicas e linguagens que são instrumentos para construir caminhos e lugares nas regiões narrativas. Nas múltiplas regiões do passado, do presente, das visões de futuro, na realidade e / ou na fantasia. Vocês vão poder brincar com essas múltiplas possibilidades.

Mas uma coisa é importante ter em mente : sempre que se contam histórias, se fazem escolhas. Escolhas sobre o que contar, sobre como contar, para que, porque e para quem contar aquela história daquela maneira. E estas escolhas serão feitas por vocês.

Um vídeo interessante a respeito é o TED de Andrew Stanton, roteirista da Pixar, você pode conferir nesse link. Para saber mais sobre nossa equipe e mais sobre o projeto, visite a página “Equipe” e “O laboratório”.

Bem, como respondemos, mais ou menos, à primeira pergunta título desse post “para que serve esse laboratório”, partimos para a segunda: como funcionará?

Na prática, o laboratório é composto por três módulos – Animação, fotografia e vídeo documentário – cada um terá 12 aulas com três meses de duração. Em programação, você encontrará o cronograma de aulas do módulo animação.

Nossas aulas serão sempre às quintas feiras, das 17h às 20h, com tolerância de atraso de até 20 minutos para que o aluno receba a presença. O participante que tiver com 75% ou mais de presença ganhará o certificado e manterá sua bolsa auxílio durante os três meses de curso.

A necessidade de estarmos com todo mundo em sala no máximo até 17: 20h, para iniciar as aulas, também é dada para podermos ter um intervalo de 15 minutos para lanche, que será oferecido por nossa equipe, mas não dispense sua maçãzinha, hein! O horário do lanche fica a critério do instrutor e da turma.

No fim de cada módulo teremos uma exposição aberta dos trabalhos realizados por cada turma e abriremos inscrições para o módulo seguinte, quem quiser fazer também o módulo seguinte deverá fazer uma nova inscrição quando esta estiver aberta.

Canais de comunicação

Bem, como só temos uma aula por semana, teremos alguns exercícios pedagógicos que ficarão a critério dos instrutores. Para melhorar o encontro dos grupos de trabalho para tais exercícios, teremos um grupo em nosso perfil no facebook, além de uma página e este blog que funcionarão como um suporte para postar conteúdos citados em sala e para que haja uma melhor comunicação entre os alunos e a equipe fora de sala de aula.

Um pouco sobre as oficinas

Como na aula inaugural demos um sobrevoo por cada oficina, fica aqui um resumo do que foi dito para guardar na memória. Do último módulo para o primeiro:

>>>Cinema documentário

Será a última oficina. Ministrada por Manaíra Carneiro e Fernando Alves, a ideia é passarmos por todas as etapas de produção de um filme documentário: pesquisa, roteiro, gravação, roteiro de montagem e montagem (nesta última não ofereceremos aula de software, infelizmente). Vamos experimentar técnicas de entrevistas, chegar juntos ao um estilo, determinar temas e personagens. Veremos muitos exemplos de documentários. Para abrir a mente, na última quinta feira exibimos o documentário “Casas marcadas”, de Adriana Barradas, Alessandra Schimite, Ana Clara Chequetti, Carlos R. S. Moreira (Beto), Éthel Oliveira e Juliette Lizeray.

>>> Oficina de Fotografia

É o segundo módulo. Ministrada por Ana Claudia Abreu, a oficina contará um pouco da história da fotografia e pela análise de fotos. O intuito é que o aluno conheça as leis básicas da foto: luz, sombra, volume, composição, enquadramentos, estilos etc, sempre com exercícios práticos. No fim do curso teremos uma exposição com a produção dos alunos. Trabalharemos com fotografia digital. Para o deleite dos presentes na primeira aula, Kita Pedroza, fotógrafa e coordenadora do laboratório nos apresentou uma série de imagens de Evandro Teixeira, entre outros fotógrafos renomados.

>>> Oficina de animação

O primeiro módulo da oficina contará com Ricardo Elia e Thiago Macedo como instrutores e a coordenação fica por conta de Marcos Magalhães, um dos fundadores do Anima Mundi. Neste módulo, passaremos por exercícios com dobradinha, exercício com flipbook, apresentação do software muan, exercício de filmagem com objetos. Também teremos a preparação do filme da turma. Na próxima quinta, os instrutores passarão o plano de aula detalhado.

Na aula inaugural Marcos Magalhães falou um pouco sobre o seu trabalho e nos apresentou seu primeiro filme de Animação feito na National film board no Canadá. “Animando” ganhou diversos prêmios e ainda é referência quando se diz em aprendizado da linguagem de animação. Vale à pena conferir!

http://www.youtube.com/watch?v=OYM70lZ3wxo

No mais, a biblioteca parque da Rocinha é um ótimo lugar para ler, conversar e encontrar pessoas interessantes, esperamos que vocês usufruam o máximo desse espaço incrível. A biblioteca também conta com uma página no facebook com notícias sobre oficinas, cursos e dicas de leitura! Acesse aqui.

Sejam Bem vindos!

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