16 de Jan: A animação, um mundo de possibilidades

Depois de uma aula inaugural que nos mostrou as inúmeras possibilidades de contar histórias por meio do audiovisual, entramos no universo da animação, e nele permaneceremos por 12 encontros!

No dia 16 de Janeiro, Ricardo Elia e Thiago Macedo deram início ao laboratório com a seguinte questão: O que é animação? E alguns responderam: “desenho animado”, “stop motion”, outros fizeram silêncio. Logo, outra questão: o que é animar?

Então, responderam: dar vida!

Na mosca! Animar é dar vida. A palavra vem do latim “anima” que significa “sopro, ar, brisa”, e certamente a partir daí foi que adquiriu o sentido de “princípio vital, alma”, pois esta sempre foi encarada pelo homem como algo imaterial como um movimento do ar. (c.f.origemdapalavra.com.br/palavras/animar). Também significava “criatura, vida”. Em Português, o seu uso se restringe à poesia. Mas seu derivado, o verbo “animar”, está em uso constante.

Mas, a gente pode dar vida a uma cadeira? Não? Na animação, a gente tem esse poder. Posso bater um conjunto de fotos dela em posições diferentes, e quando colocá-las em sequência, como numa exibição de slides, teremos a ilusão de que a cadeira estará se movimentando, esse é o princípio da técnica que chamamos de stop motion, na qual 24 fotos equivale a 1 segundo de movimento.

Vimos também que o filme de animação agrega outras artes como a música, a pintura, o desenho, a fotografia etc. Por isso é bom já sabermos como vamos entrar nessa equipe. É importante ter em mente que cada habilidade que você possui é preciosa, e deve ser divulgada para que possamos melhor utilizá-la no filme de fim de curso.

No filme “Animando”, temos uma série de técnicas utilizadas com stop motion. Como vocês podem ver, o autor se utiliza da pintura em papel, da tinta sobre vidro, massinha, da areia sobre vidro e do pixelation no final, quando ele sai andando igual ao personagem que ele mesmo criou, entre outras. O pixilation é uma técnica que utiliza o próprio corpo humano para fazer o stop motion.

Mas por que temos essa ilusão de movimento? São fotos estáticas que postas em sequência nos faz pensar que a figura está em movimento. Como isso acontece? A explicação mais comumente difundida é a da persistência retiniana, segundo essa explicação o fenômeno ou a ilusão provocada quando um objeto é visto pelo olho humano persiste na retina por uma fracção de segundo após a sua percepção. Assim, imagens projectadas a um ritmo superior a 16 por segundo, associam-se na retina sem interrupção.

Muybridge_race_horse_gallop

Esse estudo pôde provar que os cavalos mantém suas 4 patas no ar durante seu cavalgar. Note que se projetarmos essas fotos em sequência teremos a ilusão de que o cavalo está galopando.

No entanto, há muitos estudiosos que dizem que essa teoria da persistência retiniana está defasada. Na wikipédia podemos obter a informação de que:

Estudos mais recentes comprovam que a visão é mais complexa e que essa explicação não é inteiramente correcta. Sabe-se hoje que a ilusão de óptica provocada pela exibição de imagens em sequência se divide entre o movimento beta e o movimento phi. Avanços nas áreas da fisiologia e neurologia procuraram demonstrar já nos anos 70 que a persistência da visão seria um mito. Hoje ainda o conceito é usado, especialmente por teóricos do cinema.

Se não tivesse essa ilusão do movimento, não enxergaríamos o movimento, imagine! Falando nisso, a aula do dia 16 também nos trouxe uma provocação: Como olhamos o movimento ao nosso redor? Prestamos atenção? O intuito desse laboratório é sairmos dele olhando para o mundo ao nosso redor com outros olhos, sem precisarmos de um transplante.

O exercício aqui é olhar para objetos comuns e pensarmos que outras funções eles podem ter. Por exemplo, um conjunto de dados pode virar uma cebola? Ou uma granada pode ser um abacate? Como as cores e as formas nos afetam, nos emocionam? O Pes, um grande animador, te dirá que sim. Em seu filme “Fresh Guacamole” tudo isso é possível. Vamos abrir a cabeça?

Um outro exemplo exibido em sala de aula foi o premiado “Old man and sea”. Este filme foi feito com um quadro a óleo para cada quadro de filme. Ou seja, a cada 1 segundo o autor fez um 24 quadros pintados a óleo.

A seguir veremos com o Norman McLaren, o gênio da animação, a técnica do pixilation, num filme muito interessante: “Neighbours”

E para terminar o dia, vamos animar? Nossa primeira animação se chama “dobradinha”, e é feita com:

– Um papel ofício cortado ao meio na vertical

– um lápis e borracha.

dobre o papel ao meio na horizontal, desenhe um objeto de um lado, do outro desenhe o mesmo objeto em outra posição. Enrole a pontinha até a metade com a ajude de um lápis, ao desenrolar podemos ver as duas imagens.

Fica mais ou menos assim:

6anbe

O instrutor Ricardo também fez um relato de suas impressões do primeiro dia de aula, vejam abaixo:

Na primeira aula de animação, conhecemos um pouco mais da turma que participará dos doze encontros. Nos apresentamos e pedimos para cada aluno se apresentar e compartilhar com a turma suas experiências artísticas prévias e motivações para participar deste módulo.Em seguida, introduzimos o conceito de animação com um pouco de teoria e história desta arte. Exibimos alguns filmes, como “Animando”, de Marcos Magalhães, “Western Spaghetti” e “Fresh Guacamole”, do Pes, e “O velho e o mar”de Aleksandr Petrov. Filmes produzidos com diferentes técnicas e temas.

Hora de colocar a mão da massa. O exercício da dobradinha mobilizou toda a turma e mesmo quem disse que não sabia desenhar produziu pelo menos três versões do exercício. Através de dois desenhos, foi possível criar a ilusão de movimento com apenas 1 lápis e meia folha de papel A4.Na parte final da aula, exibimos um curta-metragem que mescla animação e grafite: Big Bang Big Boom, do animador Blu. Terminamos a aula com alunos animados – com trocadilho- para o desenrolar do curso.

A galera produziu bastante, vejam só:

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Um comentário sobre “16 de Jan: A animação, um mundo de possibilidades

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