28 Ago: Tipos de documentários

Nessa aula do dia 28 de agosto vimos duas questões importantes para que cada grupo começasse a construir o seu roteiro: os chamados “tipos de documentários” e o story line que nada mais é do que a sua história em até 5 linhas contendo o início o meio e o fim.

Então vamos lá!

Sabendo em que tipo de documentário sua história se encaixa a criação do roteiro se torna mais tranquila e fácil. Esses “tipos” determinam um formato, um estilo a partir do qual o (a) autor (a) narra a sua história, eles evidenciam também um modo de fazer o filme. Segundo Bill Nichols, os documentários podem se dividir em seis modos distintos. São eles: poético, expositivo, observativo, participativo, reflexivo e performático. A identificação de um filme com um certo modo não precisa ser total. Um documentário reflexivo pode conter segmentos porções grandes de tomadas observativas ou poéticas. As características de um dado modo funcionam como dominantes num dado filme: elas dão estrutura ao todo do filme, mas não ditam ou determinam todos os aspectos de sua organização. Assim:

Esses modos determinam uma estrutura de afiliação frouxa, na qual os indivíduos trabalham; estabelecem as convenções que um determinado filme pode adotar e propiciam expectativas específicas que os espectadores esperam ver satisfeitas. Cada modo compreende exemplos que podemos identificar como protótipos ou modelos: eles parecem expressar de maneira exemplar as características mais peculiares de cada modo (…) (Nichols 2001, pag.136).

Para quem está começando, uma boa maneira de iniciar o roteiro é tentar copiar o formato de um filme já existente. Lembre-se que ao tentar copiar o (a) seu (a) cineasta favorito acabará não o fazendo tão fielmente, e é dessa tentativa de cópia que nascerá algo novo, algo que é só seu.O seu estilo você alcançará com o tempo e muita prática. Por isso não tenha vergonha de copiar, de criar a partir de referências já existentes. Um bom exemplo dessa tentativa de cópia é um vídeo do coletivo intervozes (link abaixo) que foi inspirado pelo famoso filme de Jorge Furtado que vimos na aula, o “Ilha das flores” (veja baixo).

O filme “Ilha das Flores” poderia se encaixar no modo poético de filmes documentários, pois “evidencia a subjetividade e se preocupa com a estética. Há uma valorização dos planos e das impressões do documentarista a respeito do universo abordado. Em relação à construção do texto, podem-se usar poemas e trechos de obras literárias ” (portal do curta).

Já o modo reflexivo deixa claro para o telespectador quais foram os procedimentos da filmagem, evidenciando a relação estabelecida entre o grupo filmado e o documentarista. Nos filmes em que esse modo de representação prevalece nota-se como é a reação do grupo pesquisado diante da câmera e do seu realizador.

No modo observativo, o(a) documentarista busca captar a realidade tal como aconteceu. Para isso, evita qualquer tipo de interferência que caracterize falseamento da realidade. Apenas há um registro dos fatos sem que o documentarista e sua equipe sejam notados. Dessa maneira, há pouca movimentação de câmera, trilha sonora quase inexistente e não há narração, uma vez que as cenas devem falar por si mesmas. Um bom exemplo desse modo é o documentário de longa metragem “Juízo” de Maria Augusta. Veja o trailer abaixo:

O modo participativo, como o próprio nome sugere, é marcado por mostrar a participação do documentarista e sua equipe. Dessa forma, torna-se um sujeito ativo no processo de gravação/filmagem, pois aparece em conversa com a equipe e provoca o entrevistado para que este fale. Como é o caso do vídeo “Casas Marcadas”, abaixo:

O modo performático caracteriza-se pela subjetividade e pelo padrão estético adotado, utilizando as técnicas cinematográficas de maneira livre. Pertencem a esse modo os filmes de vídeo-arte e cinema experimental e vanguarda. Veja exemplo abaixo:

E por último, o modo expositivo que preocupa-se mais com a defesa de argumentos do que com a estética e subjetividade. Os documentários com essa característica predominante têm como marca diferencial a objetividade e procuram narrar um fato de maneira a manter a continuidade da argumentação. Para isso, um dos recursos utilizados é o casamento perfeito entre o dito e o mostrado. Veja a seguir:

Agora, se faça a seguinte pergunta: com quais desses filmes a sua história se parece mais?

Mudando um pouco de assunto…

O exercício proposto na última aula foi: Criar uma espécie de dossiê com as informações coletadas pela pesquisa que cada grupo fez.

1 – Fazer um story line da sua proposta: conte a sua história em 5 linhas, como começa? Qual é o tema? qual é a pergunta central? Como termina? Quais são os personagens envolvidos?

2 – Um resumo das pré- entrevistas com possíveis personagens

3 – Trazer exemplos de materiais de arquivo. Pode ser matéria de jornal, fotos e vídeos caseiros.

4 – Referências estéticas e formatos. A partir do texto acima, defina como você contará a sua história, qual o tipo de documentário você quer fazer? Para contribuir em sua reflexão, junte algumas referências estéticas como imagens, filmes, músicas etc.

5 – Determinem uma função para cada integrante do grupo. Não vale acumular todos os afazeres numa pessoa apenas. Lembrem-se que vocês são uma equipe a partir de agora!

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